Brisas azuis de despencar olhos.
Tudo certo por hoje
Não mais esforços
Quero meus cintos todos frouxos
Como as fivelas na ruela
Nos sapatos [céu] engraxados
Como as fivelas da sandália
Tirai as correntes dela
Dai aos céus seu ultimo clamo
E um castiçal em fogo humano
Para descansar por ora
Teus olhos virtuosos
Como a seiva de um freixo;
Por ora descanse
Pois o mundo engana;
Pelos becos escuros
Como poços de luz sufocados
O doce gosto do cigarro em teus lábios
Até que meu pigarro me leva-se ao teu
Meretriz que o mundo adotou
que fazes por este breu?
Hei de te levar daqui
De volta para tuas correntes
Devolver-te às correias donde vieste
Um cordão umbilical nas entranhas do mundo
Pois das entranhas tenho pavor
Pois de tão dotadas de amor
Sangrara até minha cabeça tocar os céus
Volta para tuas correntes, oh mãe
Os teus filhos ingênuos lhe agridem: “rameira”
Por hoje é só,
Completa-se frase por “mãe”
Voltai às correntes donde nascera
Deixai em meus tendões
Como as estrelas a pulsar
Teu cordão ou tua corrente
Vínculo.
Marina Naves. (via vesperum-luna) --… não deixara de arrancar as últimas folhas, pois as mesmas pareciam gostar mais do Sol. Entretanto, estas não exalavam sinal algum de vida. A seiva que nelas fluía, nada era se não uma mentira para alimentar os sedentos mortos-vivos que ainda amedrontavam os retratos das dondocas enterradas a sete palmos do que chamam de chão.
Ah, poupa-me desta lorota esfarrapada! Quão grandioso poderia ser o lençol capaz de cobrir a grande besta que se alimenta de cada gota freixo blindado [alma] que semeia estas terras inférteis, com suas semente incrédulas de suas próprias forças?
Quão duradouro poderia ser, capaz de domar enfim, a própria eternidade?
… mas se tão esplêndido precisa ser […] por quê, ora bolas, tais pequenos embriões no cerne de Gea, poderiam, tal besta, conter?
…não nos esqueçamos das folhas douradas agora entaladas no esôfago…
Mas o que mesmo que eu queria dizer?
Tu és tão morta que já quase não posso crer…
Espero que tal besta tenha piedade
Espero que teu fim não mate, ainda, a eternidade.
Marina Naves.